“Envelhecer é uma arte”

“O início do nosso envelhecimento é uma progressão tão gradual que, um dia, descobrimos que ele se instalou sobre nós”. Como lidar com o envelhecimento?

O envelhecimento pode ser interpretado como uma dádiva que estabelece as fronteiras da nossa vida, trazendo consigo a promessa de que existe algo mais, algo de bom, isso se estivermos dispostos a estender a mão para pegá-lo.

E talvez nisso resida o segredo, não de prolongar uma vida, mas recompensá-la por ter sido bem usada.

Tirania das Décadas

Há uma tirania nas décadas, trazendo uma reflexão: a vida deveria ser medida realmente em pacotes de 10 anos. 50, 60, 70, 80, 90? O que representam?

Não raro observamos a passagem de uma década para outra repleta de implicações artificiais, como se sofrêssemos alguma abrupta transformação física num momento que nada mais é do que um marco.

Do ponto de vista biológico, a última manhã dos 49 anos não é muito diferente da primeira manhã dos 50 anos. No entanto, a mente pode se ajustar como se entrássemos num novo ritmo.

Mas como seria a vida se não tivéssemos meios de marcar a passagem de anos? Que idade pensaríamos ter se não fizéssemos idéia da idade que temos?

Como diz o Professor Clínico de Yale, Sherwin Nuland, “seríamos muito mais do que realmente somos: indivíduos de variação infinita em qualquer idade”.

Não que se defenda ignorar a passagem do tempo, mas expor uma verdade biológica: vivemos na bioquímica do nosso corpo, e não dos anos; vivemos na interação entre essa bioquímica e seu maior protagonista: a mente humana.

Cada um possui uma individualidade física, mental, espiritual e social, moldada por tudo que ocorreu ao longo de sua jornada e é trazido para uma nova etapa da vida.

Seja o que for que o envelhecimento pode representar, ele é antes de tudo, um estado de espírito. Reflita: como você se avalia com o passar dos anos?

As Cautelas do Envelhecimento

É claro que se deve ter em mente as limitações físicas naturais, pois a fisiologia sofre invariavelmente a ação do tempo. Essa cautela que se faz necessária, já que é dever de cada um de nós zelar pela autopreservação.

No entanto, embora o pleno vigor de um período anterior já tenha desaparecido, recursos internos podem aflorar quando uma pessoa mais madura mantém boa disposição e autoconfiança.

Isso significa que a vida não estagnou por causa do envelhecimento físico, mas sim que ela teve a oportunidade de ser adaptada, revigorada e reinventada por uma nova realidade.

Existe um mundo de possibilidades e recompensas presenteadas pelo envelhecimento. É essa janela que precisamos abrir e falar a respeito.

Caminhando na Incerteza

Ao envelhecer, manobramos em meio à incerteza, prestando atenção em nossa mente e ao nosso corpo com mais cuidado que no passado.

Passamos a ser mais observadores, mais atentos às necessidades e capacidades.

Talvez por isso, o envelhecimento seja uma fase evolutiva que se diferencia substancialmente das que precederam. 

Chega-se a um ponto da vida em que é necessário estudar a si mesmo ainda mais, cuidar do corpo físico e buscar a sintonia consigo de novas formas, às vezes surpreendentes, outras vezes fatigantes.

Envelhecer exige atenção, reflexão e ação em relação a si mesmo e ao mundo. Nesse aspecto, todos devem se tornar, de certa forma, filósofos, ao assumir que “envelhecer é uma arte”.

Celi Helena

Graduada em Psicologia, Especialista em Psicoterapia Junguiana e em Psicossomática. Especializanda em Psicogerontologia. Atua na área clínica com psicoterapia, técnicas corporais de relaxamento, orientação vocacional e de carreira, programas pré e pós-aposentadoria. Participa de palestras/workshops sobre envelhecimento e preparo para a aposentadoria. CRP: 06/104040.
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