7 Princípios da Felicidade de Harvard

7 padrões específicos, funcionais e comprovados de sucesso e realização foram isolados pela GoodThink, instituição que busca levar a felicidade a empresas e pessoas. Confira:

# Benefício da Felicidade

A felicidade proporciona uma vantagem química concreta ao cérebro. Emoções positivas inundam o cérebro com dopamina e serotonina, causando bem estar e sintonizando os centros de aprendizado do cérebro em um patamar mais elevado.

Desse modo, a felicidade cria e sustenta mais conexões neurais, possibilitando pensar com mais rapidez e criatividade. Ao mudar o estado de espírito, é possível mudar o modo como o córtex visual processa as informações.

Isso explica porque o Yahoo tem um salão de massagem e por que os engenheiros do Google são encorajados a levar seu cachorro para o trabalho. Empresas inteligentes sabem que pequenas descargas de felicidade impactam generosamente nos resultados.

# Ponto de Apoio e Alavanca

Ajuste sua atitude mental (ponto de apoio) de maneira a dar o poder (alavanca) para atingir o sucesso.

Apesar de não ser possível mudar a realidade apenas pela força de vontade, é possível usar o cérebro para mudar o modo como processamos e, consequentemente, mudar o modo como reagimos.

Não se trata de mentir para si, mas sim enxergar de maneira a nos elevar acima das circunstâncias.

● “Teoria das Expectativas”

O Dr Marcel Kinsbourne, neurocientista da New School of Social Research explica que as nossas expectativas criam padrões cerebrais que podem ser tão reais quanto os criados por eventos no mundo real.

Ou seja, a expectativa de um evento aciona o mesmo conjunto complexo de neurônios, como se o evento estivesse realmente acontecendo, levando a um efeito dominó de eventos no sistema nervoso, resultando em consequências concretas no mundo físico.

O experimento de Ali Crum com camareiras em hotéis diferentes endossou essa teoria. Informaram à metade de camareiras quanto exercício físico faziam ao longo do trabalho, queimando calorias ao passar aspirador e ferro. A outra metade, grupo de controle, não recebeu nenhuma informação. Semanas mais tarde descobriram que a metade predisposta a pensar no trabalho como um exercício físico não só perdeu peso como reduziu a taxa do colesterol quando comparadas ao grupo de controle.

(Crum, A.J;Langer, E.J. Mindset matters: exercise and the placebo effect. Psychological Science, 2007, 18(2).p 165-171)

“A construção mental das nossas atividades diárias, mais do que a atividade em si, define nossa realidade”

# Efeito tetris

Identifique ‘padrões de possibilidades’ de forma que se possa perceber novas oportunidades.

Tetris é um jogo simples no qual blocos descem do alto da tela e o jogador deve girá-los ou movê-los até caírem por completo. Quando formam uma linha completa, desaparecem.

Um estudo do departamento de Psiquiatria de Harvard analisou pessoas que passaram várias horas jogando tetris por 72 horas. Dias depois, os participantes alegavam que sonhavam com blocos e, literalmente, percebiam blocos por toda parte, mesmo quando despertos.

O efeito tetris resulta num processo físico chamado “imagem residual cognitiva”.

Sabe quando alguns pontos mancham a visão logo após o flash de uma foto? A explicação é que o flash grava momentaneamente uma imagem no seu campo visual.

Estudos revelaram que o jogo ininterrupto criou novos caminhos neurais, distorcendo o modo como os jogadores do experimento percebiam situações na vida real.

Não é diferente daquele auditor que passa 14 horas por dia analisando documentos em busca de erro. O cérebro é configurado para achar erros. Muito eficiente na execução do trabalho, mas quando se estende para os demais aspectos da vida, isso pode desencadear outros problemas.

É como o pai que só enxerga a nota baixa, ou apenas os defeitos do cônjuge ou apenas as falhas de um evento. Os auditores devem sim procurar erros. Mas o efeito tetris não precisa ser disfuncional.

Da mesma forma que o cérebro pode ser treinado de maneira que nos limite, é possível programá-lo conscientemente para enxergar as coisas boas. Uma questão de foco.

O efeito tetris positivo passa a ser justamente o antídoto, configurando o cérebro para procurar e concentrar-se no positivo.

Isso não significa usar lentes cor de rosa e ignorar problemas, mas sim cultivar um senso crítico razoável e otimista, que não impeça a identificação de oportunidades que aumentem as chances de felicidade e ensejam uma sequência de eventos benéficos.

# Encontre oportunidade na adversidade

Encontre o caminho mental que transforma o fracasso em aprendizado.

Ao longo das duas últimas décadas, o psicólogo Richard Tedeschi e seus colegas se dedicaram ao estudo empírico do Crescimento Pós-Traumático. Em outras palavras, trata-se do crescimento diante das dificuldades.

Mulheres que superaram o câncer, madrilenos após o ataque de 2004, grupos que venceram traumas transformaram crises em fortalecimento.

Estratégias que levam com mais frequência ao crescimento contraditório incluem a reinterpretação positiva do evento.

“As pessoas que conseguem se levantar da queda com mais sucesso são aquelas que conseguem utilizar o infortúnio para encontrar o caminho que as leve a perceber oportunidades na adversidade”.

# Círculo Zorro

Retome o controle das dificuldades concentrando-se em metas menores para, então, expandir para metas maiores.

A metáfora do Zorro remete à lenda do espadachim Alejandro e seu tutor Dom Diego. Alejandro era um homem arruinado, escravo da bebida e do desespero. Dom Diego percebe potencial no jovem e promete a maestria através de dedicação e tempo. Para isso, restringe o aprendizado do jovem a um círculo e, conforme ele dominava uma pequena área, expandia para uma maior.

Quando restringimos o escopo de nossos esforços e depois observamos os efeitos produzidos, acumulamos recursos, conhecimento e confiança para o próximo passo.

# Regra dos 20 segundos

Por meio de pequenos ajustes de energia, é possível redirecionar o padrão de um hábito ruim, substituindo por um hábito bom.

Conhecimento é apenas uma parte da batalha. Conhecimento sem ação não faz diferença.

Apesar de sabermos quais hábitos são saudáveis e quais são nocivos, nem sempre os respeitamos.

Força de vontade não é suficiente. Quem já não notou que quanto mais a utilizamos, parece que mais se esgota?

O caminho para remodelação de hábitos está muito mais associada a pequenos empenhos diários.

Somos intensamente atraídos pelas coisas que são fáceis, práticas e habituais, sendo incrivelmente difícil dominar essa inércia.

É por esse motivo que muitas vezes nos sujeitamos ao plano usual de telefonia ao invés de negociar pelos descontos dos planos atualizados, ou simplesmente trocamos o lazer ativo (como um esporte) por um passivo (assistir a um filme).

Voltando ao exemplo do lazer ativo, é sabido que a recompensa de uma atividade física é muito superior ao ócio, porém requer que se supere a inércia.

Na física, a energia de ativação é a fagulha inicial necessária para catalisar uma reação. Se você quer adotar um novo hábito saudável, precisará vencer o caminho da menor resistência e se valer da energia de ativação.

Para isso, existe uma técnica. Crie dificuldade para o mau hábito e crie facilidade para o bom hábito. Quer ler mais? Deixe livros sempre perto. Não quer sabotar academia? Inscreva-se perto do trabalho e já leve uma muda de roupa para se aprontar logo após o expediente. Quer evitar má alimentação? Deixe refeições saudáveis já prontas.

Reduza sua energia de ativação, ainda que por apenas 20 segundos. Isso pode ser determinante.

# Investimento social

Invista na sua rede social de apoio ao invés de se isolar diante das dificuldades.

Psicólogos evolucionários explicam que a necessidade de afiliação e formação de vínculos está literalmente programada em nossos corpos.

Quando formamos um vínculo social positivo, a ocitocina é liberada na corrente sanguínea, reduzindo imediatamente a ansiedade e melhorando nossa concentração e foco.

Cada conexão social reforça nosso sistema cardiovascular, neuroendócrino e imunológico de modo que, quanto mais conexões de qualidade formamos, melhor é o funcionamento do nosso corpo.

Alguns acreditam que o caminho para o sucesso deve ser percorrido sozinho para não perder o foco. Mas a prática não funciona exatamente assim.

Pessoas bem sucedidas sabem que até em ambientes altamente competitivos, somos mais bem equipados para lidar com desafios quando reunimos os recursos das pessoas ao nosso redor.

Até os mais breves momentos de interação e felicidade reduzem os níveis de stress, capitalizam ideias, energias e motivações proporcionadas pela rede social de apoio.

De Harvard para o mundo

A combinação desses 7 princípios ajudou alunos de Harvard (e, posteriormente, milhares de pessoas fora do campus) a superar desafios, treinar novos hábitos e alcançar as mais ambiciosas metas.

Os 7 padrões aqui comentados possibilitaram o programa Benefício da Felicidade, um dos maiores e mais bem sucedidos treinamentos corporativos em psicologia positiva do mundo.

Líder da pesquisa, Shawn Anchor é fundador e CEO da Good Think, uma instituição que busca levar felicidade a empresas e pessoas, reduzindo o nível de stress e melhorando a saúde emocional.

Qual desses 7 princípios fez mais sentido para você?

Celi Helena

Graduada em Psicologia, Especialista em Psicoterapia Junguiana e em Psicossomática. Especializanda em Psicogerontologia. Atua na área clínica com psicoterapia, técnicas corporais de relaxamento, orientação vocacional e de carreira, programas pré e pós-aposentadoria. Participa de palestras/workshops sobre envelhecimento e preparo para a aposentadoria. CRP: 06/104040.
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